PORTO SANTO
Nunca ali tinha ido. Há muito que os amigos me prometiam areias douradas e um mar azul-turquesa. Era tudo verdade. Isso e mais a vegetação rasteira e os pássaros e insectos que por ali vivem, estranhamente perto.
A simpatia das pessoas da ilha, também.
Mas percebe-se que o "atraso" económico se deveu aos mais de 20 anos em que a ilha votou diferente do resto da Madeira (creio que no Ps, não tenho a certeza). Não é preciso um panfleto para sentir o garrote que a ditadura Jardim e a sua corte de sanguessugas deverão ter infligido a esta ilha, que tem tudo para ser extraordinária. Desde 97, a cãmara é PSD,deduz-se que a partir daí algum do dinheiro que alimenta o reino das bananas ali terá chegado.
Mas, assim de repente, tenho dúvidas que a burguesia funchalense abra mão da sua colónia... de férias e deixe que Porto Santo brilhe pelas suas belezas naturais intocadas; que lhe permita progredir de forma ecologicamente equilibrada, sem o cimento que destruiu quase toda a encosta sul da principal ilha do arquipélago.
A ver vamos, como diria o cego.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
17 de maio de 2009
8 de maio de 2009
FEIRA DO LIVRO
Entro nela sempre contente. No meio das acácias e da relva. Mas à medida que atravesso o ruído dos pavilhões (melhorados, é certo) e desço pelo supermercado Leya, fico cada vez mais deprimido.
É como visitar uma amiga com uma doença incurável e para quem imaginamos sempre melhoras improváveis...
Entro nela sempre contente. No meio das acácias e da relva. Mas à medida que atravesso o ruído dos pavilhões (melhorados, é certo) e desço pelo supermercado Leya, fico cada vez mais deprimido.
É como visitar uma amiga com uma doença incurável e para quem imaginamos sempre melhoras improváveis...
URBANO, OBRA COMPLETA
Saiu mais um volume da "Obra Completa" de Urbano Tavares Rodrigues.
Desta, vez, encontramos reunidos num só volume, "Uma Pedrada no Charco", "As Aves da Madrugada", "Bastardos do Sol" e "Nus e Suplicantes". Este último título corresponde à 1a edição (nas versões seguintes, o final aparece alterado).
Há cada vez menos desculpas para passar ao lado de um autor fundamental da Literatura Portuguesa.
Saiu mais um volume da "Obra Completa" de Urbano Tavares Rodrigues.
Desta, vez, encontramos reunidos num só volume, "Uma Pedrada no Charco", "As Aves da Madrugada", "Bastardos do Sol" e "Nus e Suplicantes". Este último título corresponde à 1a edição (nas versões seguintes, o final aparece alterado).
Há cada vez menos desculpas para passar ao lado de um autor fundamental da Literatura Portuguesa.
6 de maio de 2009
OS AMORES DE SALAZAR...
Obviamente que, em primeiro lugar, se duvida que aquele ranhoso de Santa Comba tenha tido uma vida amorosa por aí além. Criadas, pegas de luxo a entrar pelas traseiras e uma ou outra louca disposta a distraí-lo do silício, é mais provável.
Mas o que diabo interessa isso ao país e ao cinema português?
Nada.
Mais, enquanto tivermos gente viva que apodreceu nas prisões, e toda a a outra que entristeceu num país sem esperança, é obsceno que se façam séries e filmes destes.
Sim, tudo é passível de ser representado, mas esta patética história, a tão pouco tempo histórico do fim da ditadura é uma tristeza.Não me espanta que a falta de vergonha promova produtos destes. Mas só uma palavra descreve estas promoções que nos metem pelos olhos dentro: nojentas.
Obviamente que, em primeiro lugar, se duvida que aquele ranhoso de Santa Comba tenha tido uma vida amorosa por aí além. Criadas, pegas de luxo a entrar pelas traseiras e uma ou outra louca disposta a distraí-lo do silício, é mais provável.
Mas o que diabo interessa isso ao país e ao cinema português?
Nada.
Mais, enquanto tivermos gente viva que apodreceu nas prisões, e toda a a outra que entristeceu num país sem esperança, é obsceno que se façam séries e filmes destes.
Sim, tudo é passível de ser representado, mas esta patética história, a tão pouco tempo histórico do fim da ditadura é uma tristeza.Não me espanta que a falta de vergonha promova produtos destes. Mas só uma palavra descreve estas promoções que nos metem pelos olhos dentro: nojentas.
5 de maio de 2009
VASCO GRANJA
Encalhei hoje na notícia. A foto na capa do jornal.
Não fiquei surpreendido, sabia, por portas e travessas, que se encontrava internado há algum tempo. Mas ainda assim.
O Vasco Granja deu-nos seca, é verdade, com alguma animação experimental, mas pelo menos, mostrou-nos que existiam outras coisas. Tínhamos direito ao nosso doce, no fim da programa: Fritz Freeling (creio que se escreve assim), frequentemente.
Crescemos a ouvir o senhor, numa televisão que, sendo a única, sentia, no meio do seu desgoverno, que tinha uma missão. Vasco Granja alterou o nosso vocabulário. Deixámos de dizer "desenhos animados" e passámos a falar em "animação".
E, ninguém o substituiu até hoje. E é pena.
Chegou ao fim da vida.
KONIEC
Encalhei hoje na notícia. A foto na capa do jornal.
Não fiquei surpreendido, sabia, por portas e travessas, que se encontrava internado há algum tempo. Mas ainda assim.
O Vasco Granja deu-nos seca, é verdade, com alguma animação experimental, mas pelo menos, mostrou-nos que existiam outras coisas. Tínhamos direito ao nosso doce, no fim da programa: Fritz Freeling (creio que se escreve assim), frequentemente.
Crescemos a ouvir o senhor, numa televisão que, sendo a única, sentia, no meio do seu desgoverno, que tinha uma missão. Vasco Granja alterou o nosso vocabulário. Deixámos de dizer "desenhos animados" e passámos a falar em "animação".
E, ninguém o substituiu até hoje. E é pena.
Chegou ao fim da vida.
KONIEC
3 de maio de 2009
BRAVE, BRAVE, NEW WORLD
Percebe-se a tentação de controlar a Internet, da parte de tanta gente. Pensar pela sua própria cabeça? Ter acesso ao que antes estaria apenas ao alcance de alguns? Poder invetigar até ao fim as coisas que se agitam no interior de nós? Crescer com isso? ... Perigoso.
Mais perigoso ainda, não ser tão manipulado, dada a pulverização da informação.
Penso nisto, enquanto vejo um filme de animação soviético dos anos 30. Dez anos atrás, menos, provavelmente, teria de esperar que os programadores da Cinemateca se lembrassem dele, para me "permitirem" ver. Hoje, precisei deste computador de onde escrevo e de uma ligação à net.
Está para breve, o fim de tudo isto. Não tardaremos a só poder ver o que políticos, empresários e quem vive à nossa custa, quiser. Mas vivamos, por ora, estes nossos anos hippies.
Imaginação ao poder, enquanto dura.
Percebe-se a tentação de controlar a Internet, da parte de tanta gente. Pensar pela sua própria cabeça? Ter acesso ao que antes estaria apenas ao alcance de alguns? Poder invetigar até ao fim as coisas que se agitam no interior de nós? Crescer com isso? ... Perigoso.
Mais perigoso ainda, não ser tão manipulado, dada a pulverização da informação.
Penso nisto, enquanto vejo um filme de animação soviético dos anos 30. Dez anos atrás, menos, provavelmente, teria de esperar que os programadores da Cinemateca se lembrassem dele, para me "permitirem" ver. Hoje, precisei deste computador de onde escrevo e de uma ligação à net.
Está para breve, o fim de tudo isto. Não tardaremos a só poder ver o que políticos, empresários e quem vive à nossa custa, quiser. Mas vivamos, por ora, estes nossos anos hippies.
Imaginação ao poder, enquanto dura.
28 de abril de 2009
OUSADIA...
é o que aconteceu hoje no cinema S.Jorge. mais de 400 miúdos, habituados a tudo menos a música clássica e muito menos a coros, ouviram em silêncio, antes da sessão de cinema 4 (quatro) temas, tocados e cantados pela orquestra e coro de cãmara do Colégio Moderno. Duas solistas (uma delas, cantou fado à capela)conseguirem ser aplaudidas por esta plateia, desculpem lá, mas é quase voltar a dobrar o Bojador.
Era isto o que poderia ser o meu país, se não fosse povoado pela cobardia fanfarrona.
é o que aconteceu hoje no cinema S.Jorge. mais de 400 miúdos, habituados a tudo menos a música clássica e muito menos a coros, ouviram em silêncio, antes da sessão de cinema 4 (quatro) temas, tocados e cantados pela orquestra e coro de cãmara do Colégio Moderno. Duas solistas (uma delas, cantou fado à capela)conseguirem ser aplaudidas por esta plateia, desculpem lá, mas é quase voltar a dobrar o Bojador.
Era isto o que poderia ser o meu país, se não fosse povoado pela cobardia fanfarrona.
22 de abril de 2009
20 de abril de 2009
19 de abril de 2009

NOTÍCIA BOMBÁSTICA!!
Uma das primeiras notícias do jornal da tarde da SICnotícias foi a da actual governadora civil de Faro ter "sido multada por andar a 87 km por hora, no seu carro particular". Wuuuuu... É prender já esta louca do volante!!! Ainda bem que os gnrs estavam escondidos atrás de uma paragem de autocarro da terra e os media super-atentos. O que seria de nós sem esta denúncia grave?
Ainda há quem ache que os cursos de Comunicação Social em Portugal são fraquinhos. Ná, é impressão...
VEM AÍ O INDIE...
A festa de apresentação foi de arromba. Centenas de pessoas, boa música e melhor ambiente até às tantas. Não falando do pinguepongue nem dos matraquilhos.
Para a equipa que trabalha há muitos meses para fazer deste o melhor festival de cinema, foi um momento de alívio e o prenúncio de que as coisas vão correr pelo melhor.
Venham os filmes.
A festa de apresentação foi de arromba. Centenas de pessoas, boa música e melhor ambiente até às tantas. Não falando do pinguepongue nem dos matraquilhos.
Para a equipa que trabalha há muitos meses para fazer deste o melhor festival de cinema, foi um momento de alívio e o prenúncio de que as coisas vão correr pelo melhor.
Venham os filmes.
15 de abril de 2009

CORIN' TELLADO
Morreu, aos 81 anos, de forma coerente, de paragem cardíaca. Foi A escritora del corazon. O resto, por mais que se pele e venda entre nós, os tugas, nunca conseguirá descrever de forma tão arrebatadora o encontro entre o trintão de suíças com fios de prata e a jovem ingénua de olhos ora cor de violeta ora cor de avelã.
Quando comecei a publicar e os jornalistas "sérios" (sim, sim, já existiram, sei que parece mentira, mas não percamos a esperança, porque um dia... ó, um dia...)me queriam impingir referências ao Boris Vian e ao Flaubert, eu só respondia, a rir, que tinha lido muito era Corin'Tellado. E era verdade.
Repousa lá no assento etéreo onde subiste, asturiana romântica, que nós ficaremos cá na terra sempre tristes, sempre na esperança de encalharmos um dia nuns olhos claro, num perfume estranhamente familiar, à beira de um lago que mergulhe no ocaso.
ps: Apesar de não ser (julgo) da referuda senhora, achei que esta capa correspondia melhor ao sentimento.
13 de abril de 2009
BURRICE A DOBRAR
Hoje, a propósito da programação do IndieJúnior *, um colega chamava-me a atenção para um fenómeno a que os portugueses sempre conseguiram escapar e que as televisões portuguesas estão a enfiar, aos poucos: a dobragem.
Caso não tenham reparado, cada vez são mais os filmes (de momento, para crianças... por assim dizer, se considerarmos os trabalhos da Pixar, obras infantis) que passam dobrados na televisão e no cinema. Começaram com as animações e já vamos nas longas-metragens em imagem real. Em breve, teremos versões dobradas de filmes generalistas, até que o público, embrutecido, não aceite outra coisa. Foi assim com a Espanha, com a Itália e por aí fora. A única originalidade positiva deste país é finalmente destruída. Devagarinho, para não dar nas vistas.
Sim, a televisão é cada vez mais um sinónimo de burrice e embrutecimento. Mas é preciso não esquecer que é ela também quem "educa" a maioria da população. O que significa que aquilo que neste momento é uma opção, ver um filme em versão original no cinema ou em versão dobrada, acabará por existir apenas com a voz dos actores menores, mais ou menos conhecidos, que vivem desse expediente ou que aproveitam para ganhar mais uns trocos a imitar o trabalho de outros, de qualidade a milhas da deles.
Nunca a expressão de Orwell se aplicou tão bem: é mesmo O Triunfo dos Porcos.
* aos pais e professores distraídos, só digo 3 coisas: a) de 23 de Abril a 3 de Maio, b) o melhor do cinema mundial para a infância e juventude, c) www.indiejunior.com
Hoje, a propósito da programação do IndieJúnior *, um colega chamava-me a atenção para um fenómeno a que os portugueses sempre conseguiram escapar e que as televisões portuguesas estão a enfiar, aos poucos: a dobragem.
Caso não tenham reparado, cada vez são mais os filmes (de momento, para crianças... por assim dizer, se considerarmos os trabalhos da Pixar, obras infantis) que passam dobrados na televisão e no cinema. Começaram com as animações e já vamos nas longas-metragens em imagem real. Em breve, teremos versões dobradas de filmes generalistas, até que o público, embrutecido, não aceite outra coisa. Foi assim com a Espanha, com a Itália e por aí fora. A única originalidade positiva deste país é finalmente destruída. Devagarinho, para não dar nas vistas.
Sim, a televisão é cada vez mais um sinónimo de burrice e embrutecimento. Mas é preciso não esquecer que é ela também quem "educa" a maioria da população. O que significa que aquilo que neste momento é uma opção, ver um filme em versão original no cinema ou em versão dobrada, acabará por existir apenas com a voz dos actores menores, mais ou menos conhecidos, que vivem desse expediente ou que aproveitam para ganhar mais uns trocos a imitar o trabalho de outros, de qualidade a milhas da deles.
Nunca a expressão de Orwell se aplicou tão bem: é mesmo O Triunfo dos Porcos.
* aos pais e professores distraídos, só digo 3 coisas: a) de 23 de Abril a 3 de Maio, b) o melhor do cinema mundial para a infância e juventude, c) www.indiejunior.com
11 de abril de 2009
NO FORNO DE LENHA
Estou à espera que os últimos bolos alentejanos ("costas") saiam do forno. Também arrisquei, juntando uns suspiros (alguns cobertos de canela), em último, como manda a tradição e a lei das temperaturas. Veremos.
O pão ficou bom: come-se bem, apenas com manteiga em cima.
Isso traz-me à cabeça a lembrança de um escritor meu conhecido que me despreza ligeiramente por não me drogar, furar com piercings ou, pelo menos, fumar. É verdade, não faço nada disso. Mas regressar com um tabuleiro de pão acabado de fazer, do forno até à casa, debaixo das estrelas frias, também me dá pedra. Não sei é se isso conta na contabilística urbano-depressiva ;)
Estou à espera que os últimos bolos alentejanos ("costas") saiam do forno. Também arrisquei, juntando uns suspiros (alguns cobertos de canela), em último, como manda a tradição e a lei das temperaturas. Veremos.
O pão ficou bom: come-se bem, apenas com manteiga em cima.
Isso traz-me à cabeça a lembrança de um escritor meu conhecido que me despreza ligeiramente por não me drogar, furar com piercings ou, pelo menos, fumar. É verdade, não faço nada disso. Mas regressar com um tabuleiro de pão acabado de fazer, do forno até à casa, debaixo das estrelas frias, também me dá pedra. Não sei é se isso conta na contabilística urbano-depressiva ;)
8 de abril de 2009
7 de abril de 2009
6 de abril de 2009
SOBRE A CAMPANHA ANTI-SÓCRATES
Primeiro que tudo... é óbvia. Quando um ex-ministro do PSD recebe em casa polícias da Judiciária para ver de que maneira se há-de lançar uma investigação contra o primeiro-ministro, só por acaso do PS, está tudo dito. Tudo se tem tentado para provocar o desgaste e a respectiva renúncia. Começou com as insinuações de Santana L. sobre sexualidade colorida do candidato concorrente, passando pela forma como obteve a licenciatura e agora a história de uma hipotética ligação a um caso de corrupção. Vale tudo. À hora que escrevo andavam os "jornalistas" a escarafunchar sobre a mãe do homem. Calculo que em seguida seja a namorada e depois os filhos. O que for preciso.
Não, não há políticos totalmente honestos e isentos de culpa. Tal como desapareceram os jornalistas que se interessavam pela verdade, do nosso país.
O que conta agora é a capacidade de produzir barulho, de se deitar abaixo quem está a ganhar mais do que nós para nos sentarmos na sua cadeira, aparentemente dourada. Até que chegue a vez dos que manipularam para o derrube serem por sua vez derrubados pela manipulação.
Para falar verdade, mete tudo um bocado de nojo.
Quando fizerem cair o Sócrates haverá uma resma de Santanas à espera. E, como as coisas estão no mundo, que os deuses nos protejam...
Primeiro que tudo... é óbvia. Quando um ex-ministro do PSD recebe em casa polícias da Judiciária para ver de que maneira se há-de lançar uma investigação contra o primeiro-ministro, só por acaso do PS, está tudo dito. Tudo se tem tentado para provocar o desgaste e a respectiva renúncia. Começou com as insinuações de Santana L. sobre sexualidade colorida do candidato concorrente, passando pela forma como obteve a licenciatura e agora a história de uma hipotética ligação a um caso de corrupção. Vale tudo. À hora que escrevo andavam os "jornalistas" a escarafunchar sobre a mãe do homem. Calculo que em seguida seja a namorada e depois os filhos. O que for preciso.
Não, não há políticos totalmente honestos e isentos de culpa. Tal como desapareceram os jornalistas que se interessavam pela verdade, do nosso país.
O que conta agora é a capacidade de produzir barulho, de se deitar abaixo quem está a ganhar mais do que nós para nos sentarmos na sua cadeira, aparentemente dourada. Até que chegue a vez dos que manipularam para o derrube serem por sua vez derrubados pela manipulação.
Para falar verdade, mete tudo um bocado de nojo.
Quando fizerem cair o Sócrates haverá uma resma de Santanas à espera. E, como as coisas estão no mundo, que os deuses nos protejam...
Subscrever:
Mensagens (Atom)

